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By Helena Rosenthal

21/10/2014
Ocorreu no início de uma aula. A aluna que começara yoga há poucas semanas interrompeu sua prática após algumas saudações ao sol e dirigiu-me a pergunta que suscitou tantas reflexões:

"Não que eu tenha pressa mas... quanto tempo vou levar para deixar de ser iniciante?"

Uma questão tão relativa... e tão reveladora.

É fato que em nossa sociedade nós, seres humanos, somos impelidos desde pequenos à competitividade, a alcançar resultados palpáveis e a transpor fases. Este é um padrão que se aplica às séries escolares, aos jogos de videogame, às faixas do caratê... mas tratando-se de yoga, definitivamente, esta pergunta soa um tanto fora de contexto.

Se, por um lado, uma vez que nos prostramos sobre o mat com a mente alerta e o coração aberto, já iniciamos nossa prática (e portanto, podemos considerarmo-nos "iniciados"), por outras muitas razões penso que deixar de ser principiante é algo que pode levar algumas (ou muitas) encarnações. Ser "faixa preta" no yoga, atingir um bom tônus e flexibilidade muscular ou fazer posições das séries avançadas infelizmente não significa que aquele que as faz é um yogi, no verdadeiro sentido do termo.

Aquele que executa os ásanas propriamente enquanto sua mente arquiteta a reunião que ocorrerá horas mais tarde; o praticante que faz as passagens (os chamados jump-backs) graciosamente mas é incapaz de controlar sua respiração durante a prática; alguém que se alimenta sempre a fim de satisfazer seus sentidos, sem qualquer reflexão sobre a qualidade dos alimentos que consome - e o impacto destes sobre o planeta; a pessoa bem relacionada mas que, no íntimo, destrata sua família ou é incapaz de ser fiel ao parceiro que escolheu para sua vida; aquele que não respeita as outras formas de vida e os outros reinos viventes no planeta; alguém que está sempre a cobiçar as posses dos outros e a lamentar por aquilo que não possui e pelas experiências que não viveu... enfim, são taaaantos os exemplos que me levam a concluir que, como no TAO, o que o yoga consagra é muito mais o caminhar e menos o ponto de chegada.

Patanjali, o sábio que compilou o Yoga Sutra, descreveu os 8 passos (ashta=oito, anga=parte) para atingirmos a liberação final, ou samadhi. Esse tratado fundamenta princípios morais que orientam nossa conduta e nossos relacionamentos e são imperiosos para o trilhar do caminho de lapidação humana que o yoga propõe. Muito mais avançado do que colocar as pernas atrás da cabeça é conseguir ser verdadeiro e coerente em nossas ações, é a prática de ahimsa (não-violência) em todas as esferas de nossa vida. A compreensão correta ou vidya, (palavra sânscrita que significa sabedoria, verdade, conhecimento) floresce através da prática diária e diligente. Prática não só de posturas físicas (asanas) mas também de um estilo de vida indivisível.

Por fim, penso que "ser iniciante" denota estar aberto para o não conhecido e supõe interesse, respeito e disponibilidade para escutar. Essas condições são componentes indispensáveis para a compreensão do yoga e determinantes para as novas paisagens internas que o praticante há de desbravar.

Que todos nós permaneçamos sempre iniciantes, sempre aprendizes, sempre disponíveis.. como Ms. Porchon Lynch, 92, praticante e professora de yoga há 42 anos.. "I´m a yoga begginer, i´m still learning"...

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=gip5sjGy8pM
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